O partido Cidadania23 veiculou um programa partidário de 30 segundos na TV aberta. O VT foi inteiramente concebido, roteirizado, animado e finalizado com o uso de inteligência artificial, incluindo os personagens exibidos na tela, evidenciando a adoção dessa tecnologia na comunicação política.
A iniciativa, além de inovadora, levanta um debate que deve ganhar força nos próximos anos: como regular o uso de IA nas campanhas eleitorais? Em um momento em que algoritmos moldam o consumo de informação e a própria percepção do eleitorado, a experiência do Cidadania escancara a necessidade de um marco regulatório que estabeleça regras claras para o uso da tecnologia na política.
Em nota, o presidente nacional do partido, Comte Bittencourt, afirmou que o uso da IA na propaganda não foi apenas uma escolha estética, mas um posicionamento estratégico. "Acreditamos na ética, na inovação e no diálogo constante com a sociedade. Ao usar IA em nossa peça publicitária, queremos mostrar que a política precisa estar conectada com os desafios do presente e do futuro. Mas é essencial que esse uso seja transparente, democrático e regulado", declarou o partido.
O Cidadania23, que surgiu em 2019 a partir da transformação do antigo Partido Popular Socialista (PPS), tem uma trajetória marcada pelo compromisso com a democracia e a inovação. Com um discurso voltado para o futuro, o partido aposta na tecnologia como ferramenta para ampliar o alcance de suas propostas e reforçar sua identidade progressista.
A iniciativa também repercutiu entre analistas políticos e jornalistas. Durante a estreia do programa Noblat Blá Blá no portal Metrópoles, Ricardo Noblat destacou o ineditismo do uso da IA por um partido político no Brasil. “Me chamou atenção porque é a primeira vez que um partido político neste país usa a inteligência artificial para dar o seu recado”, afirmou. Noblat também levantou preocupações sobre o impacto da tecnologia nas eleições futuras: “Vai se poder botar imagens que foram criadas artificialmente, dizendo o que for? E por que não se falar isso também utilizando pessoas reais, mas por um efeito de IA, fazendo-as dizer coisas que na verdade não disseram?”.
Acesse o Noblat Blá Blá com Guga e Ricardo Noblat, o novo programa do Metrópoles
No entanto, o uso da inteligência artificial na política não é isento de riscos. A manipulação de algoritmos e o direcionamento de mensagens com base em dados pessoais dos eleitores são questões que preocupam especialistas e órgãos reguladores em todo o mundo. O VT do Cidadania, ao mesmo tempo que explora as possibilidades da tecnologia, também acende um alerta sobre os desafios éticos e legais que vêm junto com ela.
Ao lançar uma campanha inteiramente produzida por IA, o partido sai na frente na adoção da tecnologia e, ao mesmo tempo, pressiona o debate público sobre sua regulamentação. A iniciativa, mais do que um experimento midiático, sinaliza a necessidade urgente de discutir como a inteligência artificial pode — e deve — ser utilizada nas eleições de 2026 e além.
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